A atividade empreendedora online sob o olhar de Schumpeter

Não há dúvidas de que o empreendedorismo é um dos temas em voga nesse momento: com a pandemia, grandes lojas estão fechadas ou tem seu atendimento e acessibilidade restritos, o que impulsiona toda uma leva de empreendedores individuais que enxergam, nesse momento de crise, uma nova oportunidade, um novo negócio. Por exemplo, multiplicam-se as “lojinhas” online, vendendo produtos cada vez mais específicos para um determinado nicho, tendo a criatividade e a inventividade como principais artifícios em sua busca por agradar potenciais consumidores, versus a tendência das grandes lojas em persuadir através de preços mais em conta. E são justamente essas características (inventividade, especificidade e conhecimento sobre o contexto de mercado) as marcas da interpretação diferenciada que o economista austríaco Joseph Schumpeter tem sobre a dinâmica da competição no mercado.

Para o autor, a competição não acontece simplesmente através de disputas de preço sistemáticas, ou meras comparações baseadas na relação custo x benefício, e sim por meio de uma série de uma série de mecanismos que analisam a inovação, seja baseado em desenvolvimento tecnológico (da mercadoria ou do processo de produção), da forma de apresentação da oferta, e de como a empresa se organiza.

a função do empreendedor é reformar ou revolucionar o sistema de produção através do uso de uma invenção ou, de maneira mais geral, de uma nova possibilidade tecnológica para a produção de uma nova mercadoria ou para a fabricação de uma antiga em forma moderna, por meio da abertura de novas fontes de suprimento de materiais, novos canais de distribuição, reorganização da indústria, e assim por diante. (SCHUMPETER, 1961, p. 166).

Para Schumpeter, a atividade empreendedora trata-se de inovar a ponto de criar condições para uma radical transformação de um determinado setor, ramo de atividade ou território, onde o empreendedor atua. Dessa maneira, a inovação não pode ocorrer sem provocar mudanças nos canais da rotina econômica.

Tendo em vista esse paradigma, a indústria da moda é justamente um setor que tem passado por grandes reinvecões, o que se deve, em parte, às práticas revolucionárias adotadas pelas já citadas “lojinhas virtuais”. Estas entregam uma experiencia cada vez mais individualizada aos consumidores, preenchendo assim, a necessidade destes de comprar um “produto especial e personalizado”. Dessa maneira, uma das tentativas de respostas por parte das grandes empresas do ramo tem sido investir especificamente em uma área que tem sido bastante demandada pelos consumidores, em especial os mais jovens: a busca pela sustentabilidade. Mesmo que essa tendência também tenha sido entregue pelas lojinhas virtuais (ao por exemplo, revender roupas seminovas – famosos brechós chiques hehe) as grandes marcas mostram-se confiantes de que serão capazes de aproveitar o crescimento dessa tendência do mercado, devido a sua capacidade de produzir peças especificamente para essa categoria.

Além disso, num processo que é enfrentado por todo ramo de negócios que se mostram lucrativos, as lojas virtuais “personalizadas” tem se tornado cada vez mais comuns, aumentando em muito a concorrência por clientes. E é justamente nesse aspecto que outro conceito do austríaco se faz importante: Empreender é exercer uma função ativa e não uma condição perene. Sendo assim, o empreendedor deve sempre tentar se superar e buscar por novas tecnologias para a produção ou para a exposição dos seus serviços e mercadorias, caso não queira ser superado pela eterna esteira rolante do mercado.

REFERÊNCIA BIBLIOGÁFICA

SCHUMPETER, J. A. Capitalismo, Socialismo e Democracia. Editado por George Allen e Unwin Ltd.. Tradução de Ruy Jungmann. Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura S.A., 1961.

André Luís Malheiros

Nem de esquerda nem de direita, muito pelo contrário. Estudante de Medicina em UFMG, Libertário, 19 anos.

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