Após crítica pública de Bolsonaro a Renda Brasil, Guedes brinca: ‘Isso aí é carrinho, entrada perigosa’

Ministro da Economia faz analogia ao futebol para comentar mal-estar. Governo pode lançar novo programa ainda neste ano.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, comparou nesta sexta-feira a crítica pública que o presidente Jair Bolsonaro fez à proposta elaborada por sua equipe para o Renda Brasil a um “carrinho”, na analogia com o futebol, que poderia ter sido pênalti. A declaração foi dada no dia em que Bolsonaro convocou auxiliares para discutir propostas alternativas para o programa social.

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Nos bastidores, fontes afirmam que a tendência é que o governo foque na prorrogação do auxílio emergencial — em parcelas de R$ 300 até o fim do ano —, enquanto tenta encontrar uma solução para estruturar o novo benefício em 2021.

O presidente foi lá lançar o V da vitória, o V da retomada, e eu fiquei aqui limpando papel e ainda tomei um vazamento. Ele chegou lá e (disse): “Pô, o PG mandou um negócio aqui, assim não tá bom. Não pode tirar do pobre pro mais pobre, não”. Ainda tomei uma dessas. Falei com ele: “Pô, presidente, isso aí é carrinho, entrada perigosa”. Ainda bem que foi fora da área, senão era pênalti — disse Guedes, em encontro virtual com empresários do setor siderúrgico.

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Na última quarta-feira, ao participar de um evento em Minas Gerais, Bolsonaro afirmou que havia suspendido a proposta de Guedes de acabar com benefícios como o abono salarial para bancar o Renda Brasil, afirmando que isso significaria “tirar dos pobres para dar aos paupérrimos”. No mesmo dia, determinou ao ministro que apresentasse alternativas a essa ideia até esta sexta.

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Segundo interlocutores de Guedes, novas propostas foram apresentadas em um encontro na manhã de ontem no Palácio do Planalto, que contou também com a participação do ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni. O senador Eduardo Gomes (MDB-TO), líder do governo no Congresso, disse que as ideias serão expostas a lideranças partidárias do Legislativo na próxima terça-feira.

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Antecipação do programa

Fontes próximas a Bolsonaro afirmaram que nada está definido. Hoje, Guedes indicou que uma das possibilidades era até mesmo lançar uma primeira fase do Renda Brasil ainda neste ano, em vez de prorrogar o auxílio emergencial. Essa estratégia facilitaria o financiamento do programa, já que as regras fiscais foram flexibilizadas neste ano por causa da pandemia, mas não resolveria o quebra-cabeça para fazer o benefício caber no Orçamento de 2021.

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— Nos próximos dias que deve sair, e estamos conversando exatamente sobre isso. Se deve ser uma prorrogação de auxílio, se deve ser já o lançamento de uma Renda Brasil, o que é mais adequado para situação atual — disse o ministro, durante o encontro com empresários.

Outra possibilidade que ainda está sobre a mesa é restringir o acesso ao abono, em vez de extinguir o benefício. Hoje, tem direito ao repasse federal trabalhadores que ganham até dois salários mínimos. A ideia em discussão seria passar a pagar o auxílio só para quem recebe até um piso federal, hoje em R$ 1.045.

Apesar da pressão por gastos, Bolsonaro orientou a equipe que o novo programa terá que respeitar o teto de gastos, regra que impede o crescimento das despesas públicas além da inflação.

Ontem, Guedes voltou a defender a trava fiscal e aproveitou para tentar diminuir o mal-estar causado com o Senado, uma semana após afirmar que a Casa havia cometido um “crime contra o país” por ter derrubado o veto ao reajuste para servidores — decisão revertida depois pela Câmara dos Deputados.

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— Eu fiquei impactado, eu tomei um susto. Eu quase não acreditei, foi uma decepção. Foi muito mais um desabafo e uma força de expressão, nunca uma ofensa ao Senado ou aos senadores — disse o ministro.

Da gestação à emancipação

O ajuste no Orçamento que Guedes quer fazer deve definir a abrangência do Renda Brasil, que, nas primeiras versões, tinha custo de R$ 52 bilhões — R$ 20 bilhões a mais que o Bolsa Família.

Segundo técnicos do Ministério da Cidadania, o modelo de funcionamento do programa já está pronto, dependendo apenas da fonte de custeio. O programa nascerá em ambiente digital e pretende cobrir da gestação à emancipação, que seria uma porta de saída para o mercado de trabalho.

Será adotado ainda um mecanismo de inteligência artificial para fazer uma conexão entre as pessoas em idade de trabalhar e o mercado de trabalho. Em caso de demissão, o beneficiário voltará automaticamente para o programa e não terá de ir para o fim da fila, como ocorre hoje no Bolsa Família.

Fonte: Marcello Corrêa e Gabriel Shinohara

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