Ponto final sobre a Cloroquina: Políticos mentiram, afinal, é o que eles fazem.

As origens da polêmica

Nos últimos meses, a cloroquina despontou como a principal forma de combater o coronavírus e se tornou, no Brasil e no mundo, um dos principais focos de discussões no debate público. O medicamento, descoberta em 1934 por Hans Andersag e os seus funcionários dos laboratórios da Bayer, e que historicamente  tem sido usado sobretudo para combater sintomas da malária, em 2020 chegou a ser considerado por alguns médicos e pesquisadores como a única esperança de tratamento para a Covid-19. No entanto, desde meados de março, assim como qualquer assunto de mínima relevância, a discussão sobre o uso da cloroquina ganhou uma forte viés ideológico/político.

Poderíamos traçar a origem da discussão ( e posterior politização) ao dia 16 de março, quando em um tweet feito de forma um tanto quanto “simplista”, o  bilionário Elon Musk, CEO da Tesla Motors, divulgou resultados prévios positivos de algumas pesquisas que vinham sendo feita sobre o efeito da cloroquina em pacientes no estágio inicial da doença. Alguns dias e muita polêmica depois, Donald Trump logo enxergou esse medicamente ( e mais que isso, o discurso em favor desse medicamento)  uma campanha a ser aproveitada a fim de se passar a impressão de que ele estaria fazendo algo realmente importante (e com mérito individual) pela população americana. Ameaçado pelo discurso democrata de quê os milhões de contaminados em seu país eram de sua responsabilidade, Trump rapidamente criou a falsa impressão de que  o medicamento viria a ser uma “cura” para a doença.

A Cloroquina em terras Tupiniquins

Assim que percebeu esse movimento do seu Grão-Mestre (aliás, chega a ser vergonhosa a submissão deste ao ianque) Bolsonaro logo adotou a mesma narrativa, com o adicional de que seus seguidores inclusive passaram a divulgar a visão de que o establishment seria contra o medicamente por ele ser uma solução para a pandemia (algo negativo para aqueles que gostariam de implantar o caos no governo). Não obstante, disputas políticas à parte – e por isso não vou tentar supor os reais motivos pelos quais os partidos de oposição se tornaram ‘opositores do medicamento’ – o motivo pelo qual a comunidade científica, a maior parte da mídia especializada, e o próprio Ministério da Saúde (que teve dois ministros derrubados por não apoiarem à empreitada Bolsonarista) estarem receosos quanto à esta medicação, era a simples falta de estudos sobre a eficácia (e até mesmo dos possíveis riscos) que esta poderia ter no tratamento ao COVID-19.

Enfim,  alguns meses passaram, e, para a surpresa de poucos, a cloroquina – e seus derivados – não se mostrou eficaz na maioria dos estudos realizados, inclusive em casos de gravidade leve e média, como foi comprovado no mais importante estudo já feito no Brasil que foi publicado na última quinta-feira (23), no periódico New England Journal of Medicine.

Até quando repetiremos esse roteiro?

No entanto, infelizmente, esse é um roteiro repetido à séculos, onde mudam os personagens mas o jogo é o mesmo: políticos mentem para ganhar credibilidade, e a população acredita por cederem facilmente à bravatas e demonstrações de confiança. Enquanto a população der mais credibilidade à palavra de políticos do quê à métodos mais confiáveis, como o lógico-dedutivo, ou o científico, esta será o desenrolar padrão das grandes crises mundiais.

Políticos mentem porque esta é a melhor forma de obterem popularidade, o que, num sistema democrático, indiretamente lhes trazem força. As pessoas acreditam porque se sentem melhor assim.

Quando as pessoas querem o impossível, somente os mentirosos demagogos podem satisfazê-las.

André Luís Malheiros

Nem de esquerda nem de direita, muito pelo contrário. Estudante de Medicina em UFMG, Libertário, 19 anos.

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