Bruno Henrique, comissões e cartão corporativo: Conselho Fiscal recomenda reprovação de contas no Santos

O Conselho Fiscal do Santos, em votação unânime, emitiu parecer recomendando que as contas de 2019 do clube sejam reprovadas pelo Conselho Deliberativo. O documento foi enviado nesta quarta-feira aos conselheiros do Peixe e obtido pelo Globoesporte.com.

O parecer de 33 páginas se baseou nas demonstrações financeiras de 2019 do Santos e apresentou os motivos para o Conselho Fiscal recomendar a reprovação das contas, como a transferência do atacante Bruno Henrique para o Flamengo, pagamento de comissões para agentes e o uso de cartões corporativos para fins pessoais.

O Conselho Fiscal cita, em seu relatório, que Bruno Henrique foi vendido ao Flamengo por R$ 23 milhões. No contrato de transferência, de acordo com o documento, não há menção a pagamento de comissões. No balanço patrimonial do Rubro-Negro, porém, estão registrados R$ 1.610.000,00 pagos para a empresa Yesport Marketing Esportivo Ltda, cujo sócio administrativo é o empresário Renato Duprat.

O Conselho Fiscal alega ter pedido explicações à diretoria do Santos em três oportunidades sobre a transferência de Bruno Henrique: em 3/9/2019, 15/10/2019 e 19/2/2020. O único departamento do clube a responder, de acordo com o parecer, foi o jurídico, que alegou que a negociação foi comandada pelo presidente José Carlos Peres.

Além do caso de Bruno Henrique, o Conselho Fiscal do Santos chama de “absurdo” o pagamento de comissões para empresários. De acordo com o documento, o Peixe gastou R$ 7.383.230,00 com intermediações em 2019.

“Nesse exercício temos o exemplo do absurdo do atual sistema em que agentes são remunerados até em trocas de atletas entre clubes a título de empréstimos”, reclama o Conselho Fiscal.

O que também motivou o Conselho Fiscal a recomendar a reprovação de contas do Santos foi o uso de cartões corporativos para fins pessoais, de acordo com o parecer. O documento mostra diversos valores que totalizam R$ 28.761,65 e ainda não foram reembolsados ao clube ou tiveram suas notas fiscais apresentadas para o abatimento.

O Conselho Fiscal ainda aponta diferenças entre o que foi orçado e executado pelo Santos (de R$ 379.153.724,00 planejados para R$ 399.829.093,00 utilizados), os custos com futebol (R$ 184.525.082,00 orçados e R$ 246.589.300,00 gastos) e o aumento de R$ 41 milhões na folha salarial anual do clube em 2019.

Por Bruno Giufrida

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